Por:
Fábbio Xavier
Teólogo e Graduando em História
RESENHA:
A Escola e o Conhecimento: Fundamentos Epistemológico e Políticos.
É impossível não ler
Mario Sergio Cortella, sem passar pela temática da escola Nova, ao escrever o
seu livro “A Escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos”,
Cortella de forma prática e muito clara sempre embasada nos estudos e ensinamentos
do grande pedagogo e educador Paulo Freire, coloca a Escola como um grande
centro de pesquisa.
Ao
iniciar a análise desta obra, achei por bem iniciar o texto chamando para este
diálogo o grande escritor Dermeval Saviane que na sua obra “Escola e
Democracia” nos trás um grande discurso sobre como deveria ser uma escola
democrática e autônoma, conforme podemos verificar nas suas palavras.
“A pedagogia nova
começa, pois, por efetuar a crítica da pedagogia tradicional, esboçando uma
nova maneira de interpretar a educação e ensaiando implantá-la, primeiro
através de experiências restritas; depois, advogando sua generalização no
âmbito dos sistemas escolares.” (SAVIANI, 2002, p. 7)
Perceba
que Saviani coloca que a pedagogia nova tem esta característica de interpretar
a educação através da experiência pessoal e principalmente dentro do ambiente
escolar.
É
perceber que o professor não é somente um mero transmissor do conhecimento, mas
antes de tudo, ele é o mediador, será aquele que mostrará ao seu publico alvo
como este conhecimento é construído, é poder trabalhar este ser humano que está
em seu interior com cultura e conhecimento.
O
autor coloca que existe uma luta constante através do tempo para conceituar o
que significa ser humano, nos arremetendo aos conceitos filosóficos mais
clássicos, como os de Aristóteles, Platão e ate os contemporâneos, como é o
caso do escrito Fernando Pessoa, todos com seus conceitos.
Cortella
deixa bem claro que todo profissional que trabalha com a educação, antes de
tudo, ele trabalho com uma ferramenta chamada conhecimento, que será o objeto
principal de nossas atividades. Portanto, não podemos olhar para este objeto
apenas com um olhar cientifico. E como diferenciar esta visão? Observando o
conhecimento que é produzido no dia-a-dia no interior da escola.
Observe
o que nos diz Cortella “Por isso, e para que possamos pensar o tema do
conhecimento e, a partir dele, produzir uma reflexão que nos ofereça mais
fundamentos para nossas práticas pedagógicas” (2009, p. 23), é pela prática do
conhecimento que proporcionará aos profissionais da educação seus valores.
Cortella
tem o cuidado de conceituar de forma muito clara o que é, de onde vem, e como
chegar ao conhecimento, que é uma ferramenta de suma importância para o
educador, e traça um acompanhamento histórico e filosófico para tal finalidade,
passando por filósofos importantes como Sócrates e Platão.
Quando
Cortella coloca que a Escola é o local do conhecimento, subentende que ele está
querendo nos deixar bem claro que a experiência vivida por cada educador
acontece no campo prática vivenciada, no seu livro Pedagogia da autonomia de
Paulo Freire coloca que não pode existir docente sem discente, ou seja, todo
professor sempre será um eterno aluno.
Ao
analisar o conhecimento como algo acabado, pronto e massificado é um perigo
muito grande para o profissional da educação, é justamente dentro deste contexto
que entra a proposta da escola nova, de colocar o professor não apenas como um
mero transmissor do conhecimento para os seus alunos, mas como um mediador que
não apenas leve o conhecimento, mas que indique quais os caminhos para se
alcançar este conhecimento. Podemos verificar este posicionamento nas palavras
de Cortella (2009, p. 95):
Não há
conhecimento que possa ser apreendido e recriado se não se mexer, inicialmente,
nas preocupações que as pessoas detêm; é um contra-senso supor que se possa ensinar
crianças e jovens, principalmente, sem partir das preocupações que eles têm,
pois, do contrário, só se conseguirá que decorem (constrangidos e sem
interesse) os conhecimentos que deveriam ser apropriados (tornados próprios).
É
importante observar que o espaço da escola é um local de aprendizagem em
constantes transformações sociais, e o professor tem que ter os olhos abertos
sem cercas para observar este ambiente que se chama escola.
Lembrando
que as idéias sociológicas provocaram grandes alterações nas concepções
pedagógicas, principalmente do ponto de vista epistemológico, que rejeitam os
pressupostos idealistas, em contrapartida vemos os materialistas tradicionais
contrapõem à dialética. (ARANHA, 2006).
Para
finalizar a sua obra, Cortella traça um paralelo muito interessante acerca da
ética dentro do processo da construção do conhecimento, quando falamos em ética
logo nos vem à mente um sistema de regras do que podemos e não podemos fazer
sobre as nossas escolhas.
É
importante que a busca pelo conhecimento compartilhado venha ser trabalhado de
forma ética, para que o profissional forme alunos integro comprometido com a
pesquisa de forma verdadeiro sem máscaras e sem fingimentos.
Portanto,
esta obra de Mario Sergio Cortella e sua tese do conhecimento é uma
contribuição importantíssima no campo social, filosófico, político, cultural e
intelectual tomando a escola como lugar de clímax, transporte e um importante
veículo para disseminação de novo conceito de fazer educação. E, finalizo
repetindo as palavras de Dermeval Saviani, eu acredito no poder da escola e em
sua função de equalização social.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da
Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.
CORTELLA, Mario Sergio. A Escola e o
Conhecimento. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2009.
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. 35.
ed. Campinas: Autores Associados, 2002.
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